Vou dar voz aos meus escritos de viagem!
Aquelas viagens que faço de vez em quando, de comboio, a caminho do Porto.
Em que me liberto, e digo o que me vai na alma.
São escritos no meu caderninho Moleskine.

29 abril ‘05, Barcelos-Porto S. Bento, CP_regional, 9.33 am

Hoje acordei cedinho, hã?!!
Custou, mas sabe tão bem, agora!
Então, o que se passa é que encontrei uma amiga. E, como estamos ainda a estudar, começamos a falar dos cursos que cada um esta a fazer.
E a conversa começou a pender para a falta de emprego.
É sabido que esta é uma muito má época para falar de emprego, e é sabido por alguns mais proximos a mim, que este é um assunto que me assusta muito. Por esta razão, às vezes pareço uma política, a fazer campanha pelos arquitectos (já que a lei 73/73 não nos leva a lado nenhum!)
Ai como me irrita este assunto!
Porque é quase como se um médico cirurgião tivesse que explicar porque é que só ele deve operar e não os assistentes e enfermeiros;
ou é quase como se uma professora de fisico-quimica tivesse que explicar porque é que uma professora de Ed. Fisica não pode dar as aulas dela;
ou é como se um dentista tivesse que explicar porque é que um ‘tira dentes’ não pode exercer medicina dentária;
ou é como se um Eng. Civil tivesse que explicar porque é que um ‘trolha’ não pode calcular uma estrutura de um edifício a olhómetro, já que está habituado a levantar essas estruturas!

Bem, já perceperam onde quero chegar!

Agora, muitos de voçês dizem:
- ahhhh!… e tal, porque os arquitectos são uns artistas e têm a mania!
E eu, mais nervosa que nunca (e já a bufar!) digo:
- Não! Não somos artistas, embora alguns de nós lá cheguem, com muito treino.
Somos aquilo para o qual andamos a estudar seis ( 6 ) anos.
E repito, 6 anos, 6 longos, cansativos e dolorosos anos! O dobro do tempo do curso de Desenhador Civil ( o que passa os trabalhos a computador e faz maquetes) e o dobro do tempo do Técnico de construção Civil (Bacharel em Eng. Civil), um ano mais que os Eng Civis, tanto tempo como os médicos!
Não! Nós também não fazemos só obras públicas, de grande imagem e tal!
Não! Não servimos só para mostrar a quantidade de capital que certa pessoa possui!

Eu só quero ser construtora da cidade onde moram, onde trabalham, onde passeiam, onde namoram, onde passam ferias!
Com muito bom senso, com carinho, paciência e rigor.
E muita qualidade!

Gracias pela atenção…