“O público não é crítico, não pensa espontaneamente.
Na escolha do que lê, na própria disposição do seu bom gosto, é guiado por influências externas.
Este fenómeno vê-se com particular clareza no caso das modas, mormente nas do vestuário, em que determinadas casas de criações do género determinam o que há de ser de bom gosto, e efectivamente todo o público segue o critério que lhe é assim imposto.
É frequente, anos mais tarde, o homem ou a mulher que se teve por vestindo com o melhor gosto em tal época, pasmar, ante um seu retrato e vendo-o à luz de novas modas e novos tipos de gosto, de como algum dia considerou de bom gosto ou de qualquer espécie de elegância o desastrado fato ou vestido que relembra.
Temos, pois, que para o público apreciar um pintor, um poeta, um músico, que não seja banal, tem que haver quem chame a atenção do público para ele.
O espírito humano espontaneamente aceita só o que já conhece; e como o valor, em qualquer secção da actividade humana superior, reside essencialmente na originalidade, resulta que não há aceitação espontânea, nem a pode haver, de um autor ou artista, que seja espontaneamente aceite pelo público.
O que há é nações e épocas em que o meio culto é influente e perspicaz, e rapidamente impõe um autor novo ao público geral. ”
Fernando Pessoa, in Correspondência
[roubado indecentemente de um ponto de fuga ]

O Fernandinho tem razão. A massa não pensa, mas faz tortelinis inigualáveis.
Comment /manifesto por Humor Negro — July 26, 2005 @ 8:42 pm
E o gosto de rebanho como eu costumo apelidar e depois se temos alguem que não segue o mesmo rumo ou é parolo ou vanguardista…
Mais uma música deliciosa que aqui passa
Comment /manifesto por mocho falante — July 26, 2005 @ 11:16 pm
Há escritos que são intemporais!Era assim na altura, e vai continuar a ser!
chamar a atenção, pois claro, vota em mim!
anda lá escolher o teu lugar ao sol!:)
Comment /manifesto por amie — July 27, 2005 @ 9:53 am
Roubado e muito bem roubado. Por mais que o tempo passe, há frases que terão sempre o seu valor. Valha-nos Pessoa.
Hugzzzz
Comment /manifesto por Kraak/Peixinho — July 27, 2005 @ 10:58 am
Em terra de cegos …
Grande sonzaço, ams um avez … deixa-me adivinhar … também é da mesma banda sonora do outro ????
Beijos Gordos Grande Guerrilheira !!!! ~:o)
Comment /manifesto por Caracolinha — July 27, 2005 @ 4:00 pm
Ainda ontem (re)vi o Amélie… :) banda sonora fantástica! Excelente escolha musical, de novo.
O Mocho Falante fala, e bem!, em rebanho.
Pois, eu falo em lei de mercado aplicada cruamente à cultura. Globalização de consumo…
Assustador… ou nem tanto. Afinal, de contas, ainda há alguns indíviduos que conseguem apontar isso. E anotar isso… Enquanto assim for, não estamos TÃO mal.
Um beijo, “guerrilheira”. E cumprimentos aos restantes.
Comment /manifesto por Cláudio Alves — July 27, 2005 @ 7:23 pm
Eu diria até que pasmamos com frequência perante quase tudo o que fizemos no passado… ou perante como o fizemos… :)
Comment /manifesto por Caiê — March 9, 2006 @ 6:00 pm